
Um grupo de neurocientistas computacionais desenvolveu uma técnica baseada em inteligência artificial (IA) capaz de traduzir imagens do cérebro em palavras e frases, segundo relatório publicado recentemente. Embora ainda esteja em estágios iniciais e longe da perfeição, a nova tecnologia pode eventualmente ajudar pessoas com lesões cerebrais ou paralisia a recuperar a capacidade de se comunicar, afirmam os pesquisadores.
A equipe de pesquisadores escaneou os cérebros de três participantes enquanto cada um ouvia cerca de 16 horas de podcasts de histórias. Com esses dados, eles produziram um conjunto de mapas para cada sujeito que especificava como o cérebro da pessoa reagia quando ouvia uma determinada palavra, frase ou significado. O objetivo era associar cada palavra, frase ou sentença com o padrão específico de atividade cerebral que ela evoca.
Inicialmente, o sistema teve dificuldades em transformar as imagens do cérebro em linguagem. Mas, em seguida, os pesquisadores incorporaram o modelo de linguagem natural GPT para prever qual palavra poderia vir depois de outra. Usando esses mapas e o modelo de linguagem, eles passaram por diferentes frases e sentenças para ver se a atividade cerebral prevista correspondia à atividade cerebral real. Se isso acontecesse, eles mantinham a frase e passavam para a próxima.
Posteriormente, os participantes ouviram podcasts que não haviam sido usados no treinamento. E pouco a pouco, o sistema produziu palavras, frases e sentenças, eventualmente produzindo ideias que correspondiam com precisão ao que a pessoa estava ouvindo. A tecnologia foi particularmente boa em captar a essência da história, mesmo que nem sempre acertasse todas as palavras.
O sistema também funcionou quando um sujeito contou uma história ou viu um vídeo. Em um experimento, os participantes assistiram a um filme sem som enquanto o sistema tentava decodificar o que eles estavam pensando. Conforme um indivíduo assistia a um filme animado onde um dragão chuta alguém, o sistema dizia: "Ele me derruba no chão". Tudo isso aconteceu sem que os participantes fossem solicitados a falar. "Isso realmente demonstra que estamos chegando a algo mais profundo do que apenas a linguagem", disse um dos pesquisadores envolvidos no estudo.
Embora ainda esteja longe de decodificar pensamentos espontâneos no mundo real, o avanço levanta preocupações de que, com melhorias, a tecnologia possa imitar algum tipo de leitura mental. O fato de ser baseado em ressonância magnética funcional (fMRI) torna o sistema caro e difícil de usar, mas a equipe pretende torná-lo mais acessível. Mesmo assim, a privacidade é uma grande preocupação ética para esse tipo de neurotecnologia, segundo especialistas em bioética. Os pesquisadores devem examinar as implicações de seu trabalho e desenvolver salvaguardas contra o uso indevido o mais cedo possível.
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