
A sonda não tripulada Chang'e-6, da China, está retornando à Terra com as primeiras amostras coletadas do lado distante da Lua, marcando um grande avanço para o programa espacial de Pequim. O pouso ocorreu em um dos mais antigos crateras lunares, a bacia do Polo Sul-Aitken (SPA), onde a sonda utilizou um braço robótico e uma broca para coletar amostras de solo e rochas durante dois dias. Após a coleta bem-sucedida, a bandeira nacional da China foi hasteada pela primeira vez nesta parte da Lua, conforme anunciado pela Administração Espacial Nacional da China (CNSA).
Atualmente, a sonda encontra-se em viagem de retorno, tendo seu módulo ascensor já se desprendido da superfície lunar e entrado em órbita lunar predefinida. Este desenvolvimento foi recebido com entusiasmo pela comunidade científica. 'Este é um feito muito importante', afirmou o Prof. Martin Barstow, da Universidade de Leicester. 'Somente os EUA e a Rússia haviam recuperado amostras lunares anteriormente. Isto demonstra uma impressionante capacidade no programa espacial chinês, e é tecnicamente desafiador decolar da Lua, especialmente do seu lado distante', explicou.
Dr. Romain Tartèse, da Universidade de Manchester, também concordou com a importância da missão. 'É extremamente empolgante, pois cada etapa nos aproxima de trazer essas amostras de volta para a Terra', disse ele. O lado distante da Lua, às vezes chamado de 'lado escuro', por não ser visível da Terra, oferece novas oportunidades para pesquisa. Espera-se que as amostras possam oferecer novas perspectivas sobre a formação e evolução da Lua e do sistema solar, além de responder perguntas sobre as diferenças entre os lados visível e distante da Lua e fornecer pistas sobre como a Terra passou a sustentar vida.
Os cientistas alertam que a missão ainda não está completa, pois ainda é necessário transferir as amostras para uma cápsula de reentrada programada para retornar à Terra e pousar nas regiões desérticas da Mongólia Interior, na China, por volta de 25 de junho. 'Ainda existem duas etapas arriscadas: primeiro, o acoplamento do veículo de ascensão com o orbitador lunar e, em seguida, o acionamento do veículo de retorno à Terra para deixar a órbita lunar e retornar de forma segura', explicou Tartèse. Barstow acrescentou: 'Eles precisam retornar à órbita da Terra em segurança e então a missão precisa sobreviver à reentrada. Mas, até agora, tudo bem.'
Confira os últimos vídeos publicados no canal