
No próximo dia 8 de abril, um eclipse solar deixará muitos norte-americanos com os olhos voltados para o céu, mas especialistas alertam para os perigos de observar o fenômeno sem a proteção adequada. Oftalmologistas dos Estados Unidos estarão em alerta, uma vez que a exposição aos raios solares sem os filtros corretos pode causar danos irreversíveis à retina, a parte sensível à luz dos olhos. Durante o eclipse solar de 2017, apesar dos avisos veiculados na mídia, diversos casos de lesões oculares foram reportados. Em Nova York, uma jovem sofreu uma lesão em forma de crescente na retina depois de usar óculos de eclipse que não conhecia a procedência. O Dr. Avnish Deobhakta, do New York Eye and Ear Infirmary of Mount Sinai, enfatizou que não há tratamento para este tipo de dano, que é semelhante ao causado por lasers apontados diretamente para os olhos.
Apesar do número relativamente pequeno de lesões frente aos mais de 150 milhões de observadores do eclipse, o especialista em segurança ocular Ralph Chou, da Universidade de Waterloo, no Canadá, destaca que muitos casos podem não ser reportados e outros podem se resolver espontaneamente com o tempo. Ele acrescenta que metade daqueles que experimentam visão turva no dia seguinte a um eclipse se recupera quase completamente, muitas vezes devido ao cérebro compensar e 'preencher' as lacunas visuais. Chou e Deobhakta recomendam o uso de projetores pinhole, feitos com objetos comuns como escorredores de macarrão, para observar o eclipse de forma segura.
O Dr. Deobhakta aconselha a não olhar diretamente para o sol e só observar o eclipse parcial com óculos normatizados e certificados. A American Astronomical Society disponibiliza uma lista de fornecedores de óculos verificados. Chou esclarece que, se os óculos de 2017 ainda estiverem em boas condições, podem ser reutilizados, já que os filtros não envelhecem.
Ele também adverte contra a tentação de dar 'só uma espiadinha' no sol sem proteção, pois danos podem ocorrer gradualmente. A lesão ocular só se torna aparente horas após a exposição. Em contrapartida, observar o sol com os olhos nus é seguro apenas quando a lua cobre completamente o sol, durante a fase de totalidade do eclipse, que dura poucos minutos e é visível em uma faixa de terra do Texas ao Maine. Laura Peticolas, física espacial da Sonoma State University, ressalta que é essencial saber o momento exato de tirar e colocar os óculos para não perder o espetáculo da coroa solar.
Apesar dos alertas, Chou reconhece que haverá quem, por medo de danos oculares, não confie na ciência e evite observar o eclipse, uma decisão lamentável diante de um evento tão raro. Ele incentiva a todos a desfrutarem do eclipse com segurança, lembrando que o próximo similar só ocorrerá nos Estados Unidos em 2044.
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