
O módulo lunar Odysseus, que marcou o primeiro pouso de uma nave dos EUA na Lua em mais de 50 anos, enfrentou um revés crítico após aterrissar de lado perto do polo sul lunar. A Intuitive Machines, empresa de Houston responsável pela construção e operação da espaçonave, relatou na última segunda-feira que a missão seria abreviada, prevendo a cessação das atividades do módulo para a manhã de terça-feira, devido à falta de incidência solar sobre os painéis fotovoltaicos. A situação problemática surgiu na quinta-feira passada, quando um dos seis pés da Odysseus prendeu-se na superfície lunar durante o pouso, causando a sua queda lateral.
A aterrissagem, que deveria ser vertical, acabou por comprometer as comunicações com a Terra, uma vez que algumas antenas foram obstruídas e aquelas ainda expostas ficaram demasiadamente próximas do solo, resultando em uma comunicação intermitente. A despeito do posicionamento inadequado, a espaçonave conseguiu pousar a cerca de 1,5 quilômetros de seu alvo pretendido, próximo à cratera Malapert A, situando-se a aproximadamente 300 quilômetros do polo sul lunar.
Os únicos registros visuais do módulo na superfície lunar são fotografias tiradas pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), a uma altitude de 90 quilômetros, que revelam pouco mais que um ponto nas imagens granuladas. Um experimento da Embry-Riddle Aeronautical University, que visava ejetar uma câmera para capturar imagens da descida do módulo, foi cancelado pouco antes do pouso devido a um problema de navegação de última hora.
Apesar do contratempo, a Intuitive Machines fez história ao se tornar a primeira empresa privada a realizar um pouso lunar, aproximando-se do polo sul lunar – uma região de grande interesse científico devido à suspeita de água congelada nas crateras permanentemente sombreadas. A NASA, que planeja enviar astronautas para essa área nos próximos anos, investiu 118 milhões de dólares na missão da Intuitive Machines para o envio de seis experimentos à superfície lunar. Outros clientes também tinham itens a bordo.
A jornada de Odysseus na Lua foi mais curta do que o esperado, pois mesmo nas melhores circunstâncias, o módulo tinha apenas uma semana de autonomia antes da longa noite lunar. Desde os anos 1960, apenas os EUA, Rússia, China, Índia e Japão realizaram pousos lunares bem-sucedidos, e somente os EUA com tripulações. No mês passado, a empresa Astrobotic Technology, dos EUA, também tentou realizar um pouso lunar, mas não alcançou a Lua devido a um vazamento de combustível.
Apesar de sua missão encurtada e do pouso inclinado, a Intuitive Machines se juntou ao grupo seleto de entidades que lograram pousar na Lua. Ambas as empresas, Intuitive Machines e Astrobotic, possuem contratos com a NASA para mais pousos lunares no futuro.
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