
Na semana passada, lancei o Protocollie. Em apenas quatro dias, utilizando linguagens que não conheço, sem nem mesmo tocar diretamente no código. As pessoas continuam perguntando "como?", mas não tenho certeza se funcionará da mesma forma novamente.
Estamos todos improvisando à medida que avançamos.
**O Grande Experimento que Ninguém Está Conduzindo da Mesma Maneira**
Chega um momento em toda nova tecnologia em que todos fingem saber o que estão fazendo. Já passamos desse momento? Ou talvez ainda não o tenhamos alcançado. De qualquer forma, estamos nesse delicioso limbo em que ninguém pode fingir ser especialista, pois tudo muda sob nossos pés.
Ultimamente, tenho refletido sobre o que significa ser um especialista. Quanto tempo leva para se tornar um? Malcolm Gladwell disse que são necessárias 10.000 horas, mas ele falava sobre violinos e xadrez, habilidades que não se atualizam a cada duas semanas. Se o programador de IA mais experiente do mundo está nisso há no máximo dois anos, então todos nós somos iniciantes. Iniciantes para sempre, provavelmente, dada a velocidade das mudanças.
**Meu Experimento Atual (Sujeito a Mudanças)**
Chamo isso de "sistema", mas isso implica que eu planejei. O que realmente ocorreu foi mais uma acumulação. Começou com um documento, pois eu esquecia o que havia dito a Claude sobre a arquitetura. Depois, dois documentos, porque estava cansado de resolver os mesmos problemas. Então três, ao perceber que estava repetindo o fluxo de trabalho. E quatro, porque as histórias precisavam de um lugar para viver.
Quatro documentos. Não porque quatro seja o ideal. Apenas foi quando parei de adicionar mais.
Às vezes me pergunto se estou apenas interpretando um programador. Como aquelas pessoas que brincam de casinha. "Vamos fingir que este documento é arquitetura! Vamos fingir que este processo é oficial! Vamos fingir que sabemos o que estamos fazendo!"
Mas o software é real. Compila. Funciona. As pessoas usam. Então talvez o fingir seja o ponto? Talvez toda metodologia seja apenas uma ficção acordada que acaba produzindo resultados?
**Dilatação do Tempo na Era da IA**
Naquele primeiro domingo construindo o Protocollie, descobri uma nova forma de trabalhar. Eu entrava no meu escritório, verificava o que Claude havia construído, testava rapidamente. Se funcionasse, ótimo! Commit e push. "Agora construa a interface de conexão do servidor", eu dizia, e saía novamente.
Fiz café da manhã. Claude programou.
Brinquei com meu filho. Claude programou.
Assisti TV. Claude programou.
A cada hora, eu voltava lá. Cinco minutos de teste. Um minuto de feedback. "Na verdade, você pode fazê-lo lembrar do último servidor?" E voltei à minha rotina.
Era como ter um estagiário muito dedicado. Exceto que esse estagiário digitava 10.000 palavras por minuto e nunca se distraía com o Twitter.
O dia todo, talvez eu tenha passado 90 minutos "trabalhando". O tipo de trabalho focado onde você toma decisões, testa coisas, diz "não, não é assim". O resto era apenas... vivendo minha vida enquanto o software se materializava em segundo plano.
Há uma estranha dilatação do tempo. Você faz uma solicitação, vive sua vida e, ao voltar, encontra dez mil linhas de código. Gasta cinco minutos lendo. Uma frase de feedback. Outras dez mil linhas surgem enquanto você faz o almoço.
**O Testemunho do Espaguete**
Recentemente, disse a alguém que estamos na fase de "jogar espaguete na parede" do desenvolvimento da IA. A pessoa me corrigiu: "Você quer dizer 'e ver o que gruda'?"
Não. Quero dizer jogar espaguete na parede. O que gruda é irrelevante. O ato de jogar é tudo.
Cada processo estranho, cada experimento falho, cada momento de "isso não deveria funcionar, mas funciona", são todos pontos de dados em um experimento que estamos conduzindo coletivamente sem uma hipótese.
Meu sistema de quatro documentos? Espaguete que caiu em um padrão reconhecível. Amanhã pode escorregar da parede. Tudo bem. Jogarei mais espaguete.
**O Que é Programação Hoje em Dia?**
Estou programando há tempo suficiente para lembrar quando moldávamos tabelas HTML à mão. Quando CSS era uma sugestão, não um estilo de vida. Quando JavaScript era apenas para efeitos de mouseover e nada mais.
Cada era, abstratamos o trabalho da era anterior. Assembly para C. C para Java. Java para Ruby. Até chegarmos ao ponto em que "descrevo o que quero e aparece".
Mas isso não é apenas mais uma camada de abstração. É algo diferente. Algo mais estranho.
Quando construí o Protocollie, eu não estava programando. Também não estava deixando de programar. Não sei como chamar isso. Ainda não temos a palavra para isso.
A habilidade não é mais sintaxe. Não é algoritmos. Não é nem mesmo design de sistemas, na verdade. É algo como "desejo coerente" ou "imaginação precisa" ou "desejo estruturado".
**O Sistema de Quatro Documentos como Filosofia Acidental**
Olhando para meus documentos, percebo que não se tratam do código. Eles são sobre memória e esquecimento. Sobre o que é importante o suficiente para preservar e o que pode ser regenerado.
A Visão Geral da Arquitetura não é realmente arquitetura. É "o que eu gostaria de saber se tivesse amnésia?"
As Considerações Técnicas não são realmente instruções. São "o que me frustraria se tivéssemos que repetir isso?"
O Processo de Fluxo de Trabalho não é realmente um processo. É "quais padrões emergiram que eu não quero perder?"
A Análise de Histórias não é realmente planejamento. É "como posso avançar quando tudo se reinicia?"
Talvez toda documentação seja isso. Mensagens para versões futuras de nós mesmos que estarão confusas.
**O Platô Desconfortável**
Estamos todos de volta a ser desenvolvedores iniciantes. Mas não iniciantes no sentido tradicional, onde o sênior espera após anos de experiência. Somos iniciantes em um sentido permanente, onde a tecnologia evolui mais rápido do que a experiência pode se acumular.
É como ser um surfista profissional em um oceano que continua mudando suas físicas. Assim que você acha que entende as ondas, elas começam a se mover para o lado. Ou para trás. Ou se transformam em pássaros.
Isso é aterrorizante ou libertador, dependendo da sua relação com o controle.
**Para Onde Tudo Isso Vai**
Não tenho ideia do que construirei na próxima semana. Que processo usarei. Que documentos criarei ou abandonarei. Se tudo isso ainda fará sentido.
Essa incerteza costumava me incomodar.
Estamos em um momento em que cada desenvolvedor é simultaneamente um especialista (em seu próprio processo peculiar) e um completo iniciante (no que vem a seguir). Onde quatro dias de trabalho podem produzir o que antes levava meses. Onde a principal habilidade é explicar o que você deseja a algo que digita mais rápido do que você consegue pensar.
Meu sistema de quatro documentos não é uma recomendação. É apenas um ponto de dados no experimento coletivo que todos estamos realizando. Um fóssil do processo de desenvolvimento da semana passada. Já desatualizado. Já nostálgico.
Mas é isso que torna este momento elétrico. Estamos todos construindo castelos de areia na maré baixa, sabendo que a água voltará. Os castelos de areia são software. A maré é progresso. E estamos nos divertindo muito.
Amanhã, alguém descobrirá um sistema de três documentos. Ou um sistema de cinco documentos. Ou nenhum documento, apenas boas intenções.
E provavelmente funcionará.
Os quatro documentos que usei? Estão no GitHub agora. Não como um evangelho. Não como um modelo. Mais como... artefatos arqueológicos. "Aqui está o que uma pessoa fez, uma vez, em uma semana específica em 2025."
Olhe para eles se quiser. Inspire-se. Fique confuso. Então ignore-os completamente e crie o seu próprio. Eles não são instruções — são apenas evidências de que algo funcionou, uma vez, para alguém.
Como encontrar as marcações de trilha de outra pessoa. Útil saber que alguém passou por aqui. Perigoso assumir que o caminho deles é o seu.
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