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Novos estudos desafiam o estereótipo de gênero na pré-história e sugerem que as mulheres também eram caçadoras habilidosas. Em 20 de novembro, pesquisas realizadas pela Universidade de Notre Dame, localizada em Indiana, EUA, e publicadas no American Anthropologist, revelam que as mulheres pré-históricas possuíam atributos biológicos e fisiológicos que as tornavam aptas para a caça, contrariando a imagem comum de homens caçadores e mulheres coletoras.
Cara Ocobock, diretora do Laboratório de Energética Humana da universidade, e Sarah Lacy, antropóloga da Universidade de Delaware, basearam-se em evidências fisiológicas e arqueológicas para chegar a essa conclusão. As mulheres da época dispunham de níveis elevados de estrogênio e adiponectina, hormônios que otimizam o metabolismo e são essenciais para atividades de resistência.
O metabolismo aprimorado das mulheres, impulsionado por esses hormônios, permitia que elas caçassem por longos períodos, segundo explica Ocobock. A estrutura corporal feminina também era uma vantagem: quadris mais largos proporcionavam passadas mais longas e eficientes.
Além disso, lesões semelhantes entre homens e mulheres encontradas em registros fósseis indicam que ambos participavam de caças de emboscada a animais de grande porte. Ocobock compara mulheres a corredoras de maratona e homens a levantadores de peso, enfatizando a resistência feminina.
Contrariando a divisão de trabalho de gênero, Ocobock menciona ainda evidências arqueológicas de mulheres caçadoras no Holoceno, no Peru, que foram sepultadas com armas de caça, sugerindo um uso frequente desses itens em vida. A pesquisa refuta a noção de que as mulheres pré-históricas se afastavam da caça durante a gravidez, amamentação ou cuidado com as crianças, e aponta para uma pré-história com divisão de trabalho menos rígida entre os sexos.
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