
A lua de Saturno, Enceladus, possui fósforo, segundo recente análise de partículas de gelo emitidas dos jatos oceânicos naturais do satélite, detectados pela sonda Cassini da NASA. A descoberta significa que Enceladus tem todos os blocos químicos para a vida como a conhecemos na Terra. "Esta é a confirmação final de que Enceladus tem todos os ingredientes que a vida terrestre típica precisaria para viver e que o oceano lá é habitável para a vida como a conhecemos", disse Morgan Cable, química astrobióloga do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, ao The Wall Street Journal.
A Cassini, que mergulhou em direção à atmosfera de Saturno em 2017, coletou dados passando pelos gêiseres continuamente em erupção de Enceladus em seu polo sul e o anel E de Saturno, que também contém partículas escapadas da lua. Sob sua crosta gelada, Enceladus tem um oceano subsuperficial quente, com mais de 30 milhas de profundidade, envolvendo toda a lua. As erupções em seu polo sul lançam partículas de gelo para o espaço, permitindo que sondas de pesquisa como a Cassini estudem a composição química do oceano sem mergulhar ou mesmo tocar a superfície da lua.
Dados de missões anteriores indicaram que a lua tinha todos os blocos de construção essenciais para a vida - carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e enxofre - exceto pelo fósforo. Uma equipe de cientistas planetários encontrou nove grãos contendo fosfato (fósforo ligado a átomos de oxigênio) entre cerca de 1.000 amostras inicialmente ignoradas por pesquisadores. A pequena quantidade detectada reflete a escassez de fósforo. "Dos seis elementos bioessenciais, o fósforo é de longe o mais raro no cosmos", disse Frank Postberg, autor principal do estudo.
Obviamente, Enceladus contendo os requisitos para a vida não significa necessariamente que a vida exista na lua. "O próximo passo é descobrir se de fato é habitado, e isso vai exigir uma missão futura para responder a essa pergunta", disse Cable. "Mas isso é emocionante, porque torna Enceladus um destino ainda mais interessante para fazer essa busca." A NASA terá a chance de aprender mais quando a missão Dragonfly partir para a lua de Saturno, Titan, em 2027; outra missão proposta poderia chegar a Enceladus por volta de 2050. Além disso, o Telescópio Espacial James Webb pode ajudar ainda mais a iluminar a decomposição química do oceano subsuperficial quente de Enceladus.
Confira os últimos vídeos publicados no canal