Na última segunda-feira, durante o WWDC, a Apple anunciou o lançamento do Apple Intelligence, um conjunto de funcionalidades de inteligência artificial generativa, que inclui ferramentas como reescrever rascunhos de e-mails, resumir notificações e criar emojis personalizados para iPhone, iPad e Mac. A empresa dedicou uma parte significativa de sua apresentação para destacar a utilidade dessas ferramentas, dedicando também um tempo considerável para reafirmar aos clientes a privacidade dos dados no novo sistema de IA.
A privacidade é assegurada por uma abordagem dupla explicada inicialmente durante o evento. A Apple detalhou que o Apple Intelligence foi construído com uma filosofia de processamento local, permitindo realizar tarefas comuns de IA rapidamente, como transcrever chamadas e organizar agendas. Contudo, para solicitações de IA mais complexas que incluem dados pessoais, o sistema pode se conectar a servidores na nuvem, garantindo resultados eficazes mantendo a privacidade dos dados.
Um ponto crucial é que a Apple utiliza seus próprios modelos de IA desenvolvidos internamente para o Apple Intelligence, sem treiná-los com dados privados ou interações dos usuários, o que difere de outras empresas. Esses modelos são alimentados por materiais licenciados e dados públicos online, coletados pelo rastreador web da empresa, o Applebot. Publicadores que não desejam ter seus dados utilizados precisam optar por não participar, uma política similar à de empresas como Google e OpenAI. Além disso, a Apple exclui números de segurança social e cartões de crédito encontrados online, bem como 'palavrões e outros conteúdos de baixa qualidade'.
A integração profunda do Apple Intelligence nos sistemas operacionais e aplicativos da Apple é um grande atrativo, assim como a otimização dos modelos para eficiência energética e tamanho, adequando-se aos iPhones. A manutenção das solicitações de IA localmente é essencial para aplacar preocupações com privacidade, embora isso signifique usar modelos menos robustos nos dispositivos.
Para tornar esses modelos locais úteis, a Apple utiliza um processo de ajuste fino, treinando os modelos para melhorar em tarefas específicas, como revisão de texto ou resumo de texto. Essas habilidades são incorporadas em forma de 'adaptadores', que podem ser aplicados ao modelo base e trocados conforme a necessidade da tarefa, de maneira similar a atributos de potencialização em um jogo de RPG. A Apple também otimizou seus modelos para acelerar o tempo de resposta a solicitações e emprega técnicas como 'decodificação especulativa', 'poda de contexto' e 'atenção de consulta em grupo' para aproveitar ao máximo o Neural Engine do Apple Silicon.
Se uma solicitação do usuário exigir um modelo de IA mais capaz, ela é enviada aos servidores Private Cloud Compute (PCC) da Apple. Esses servidores, que operam com um sistema próprio baseado nos 'fundamentos do iOS', têm um ambiente de execução confiável que garante a execução apenas de códigos assinados e verificados. Antes de enviar a solicitação, o dispositivo do usuário cria uma conexão criptografada de ponta a ponta com um cluster PCC. A Apple garante que não pode acessar os dados no PCC, já que eles são desprovidos de ferramentas de gerenciamento de servidor, e não há armazenamento persistente, ou seja, dados e contextos pessoais são excluídos na nuvem após o processamento.
Em uma entrevista com Marques Brownlee, Tim Cook, CEO da Apple, mencionou que o Siri reformulado pode encaminhar algumas consultas para o ChatGPT na nuvem, mas apenas com permissão após perguntas complexas serem feitas. Esse processo transfere a questão da privacidade para as mãos da OpenAI, que tem suas próprias políticas, e para o usuário, que deve consentir com a transferência da consulta. https://volume.vox-cdn.com/embed/5bb0c029b?autoplay=false&loop=true&placement=article&player_type=youtube&tracking=article:middle
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