
Um estudo global recente, liderado por Cole Burton, ecologista da vida selvagem e biólogo da conservação da Universidade da Colúmbia Britânica, trouxe novas perspectivas sobre o impacto dos lockdowns da Covid-19 na vida selvagem. Contrariando a narrativa otimista de que a reclusão humana teria beneficiado os animais selvagens, permitindo-lhes uma liberdade maior para circular por cidades e campos, a pesquisa revelou uma realidade mais complexa.
Durante os períodos de confinamento, enquanto os humanos desapareceram de algumas áreas, eles migraram para outras, como parques que continuaram abertos. O estudo, publicado na Nature Ecology & Evolution, mostrou que a resposta dos mamíferos selvagens à alteração da presença humana variou consideravelmente. Carnívoros e animais de regiões remotas e rurais mostraram-se mais ativos na ausência de pessoas. Por outro lado, grandes herbívoros e animais urbanos geralmente apresentaram o comportamento oposto.
"Tínhamos uma noção um tanto simplista", admitiu Burton, referindo-se à expectativa inicial de que os animais se beneficiariam imediatamente com a menor presença humana. A pesquisa destaca que o comportamento humano afeta de maneiras complexas a vida selvagem e sublinha a necessidade de esforços de conservação diversificados.
Kaitlyn Gaynor, também ecóloga da vida selvagem e bióloga da conservação na mesma universidade, reforça a ideia de que não há uma solução única para mitigar os impactos da atividade humana sobre a fauna selvagem, pois "nem todas as espécies estão respondendo de maneira similar às pessoas". O trabalho científico reforça a ideia de que a pausa antropológica, ou 'anthropause', como foi chamada a mudança radical no comportamento humano durante os lockdowns, teve efeitos variados e que as medidas de conservação necessitam ser adaptadas às realidades específicas de cada espécie.
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