
A gigante das buscas, Google, lançou seu rival do ChatGPT, o Google Bard, em 180 países e territórios, mas ainda não está disponível na União Europeia. Nem mesmo os 450 milhões de habitantes da UE têm acesso à tecnologia de inteligência artificial generativa da empresa. Essa exclusão deixou legisladores surpresos e a empresa não explicou o motivo.
O parlamentar europeu Brando Benifei, que lidera as negociações sobre as novas regras de inteligência artificial da Europa, não sabe por que a UE foi excluída e descreveu a omissão como um "grande problema". Alguns especialistas acreditam que o Google está usando o Bard para enviar uma mensagem que as leis da UE sobre privacidade e segurança online não são de seu agrado. Mas, mais do que isso, pode ser um sinal de que a tecnologia de inteligência artificial generativa, tal como existe atualmente, é fundamentalmente incompatível com as leis de privacidade e segurança online existentes e em desenvolvimento na UE.
A incerteza em torno do lançamento do Bard na região ocorre enquanto os legisladores da UE negociam novas regras para governar a inteligência artificial por meio do AI Act. Algumas leis existentes, desde o GDPR até o Digital Services Act (DSA), podem estar impedindo o lançamento de sistemas de inteligência artificial generativa no bloco.
"[É possível] que eles estejam aproveitando a oportunidade para enviar uma mensagem aos parlamentares europeus antes que o AI Act seja aprovado, tentando influenciar os votos e garantir que os formuladores de políticas pensem duas vezes antes de tentar governar modelos fundamentais", diz Nicolas Moës, diretor de governança de IA europeia do think tank The Future Society. Moës acrescenta que o Google não está sozinho em tentar incentivar os responsáveis políticos a suavizar a regulamentação dessa forma. A empresa-mãe do Facebook, Meta, também optou por não lançar o BlenderBot, seu chatbot de inteligência artificial generativa, na UE.
Mas, em uma reviravolta estranha, o Google tornou seus serviços de inteligência artificial generativa disponíveis em um pequeno número de territórios de países europeus, incluindo a dependência norueguesa da Ilha Bouvet, uma ilha desabitada no Oceano Atlântico Sul que abriga 50.000 pinguins. O Bard também está disponível nas Ilhas Åland, uma região autônoma da Finlândia, bem como nos territórios noruegueses de Jan Mayen e Svalbard.
Tobias Judin, chefe do departamento internacional da autoridade de proteção de dados da Noruega, diz que é "muito estranho" que o Bard possa ser usado nesses territórios, uma vez que as regras de dados da Europa ainda se aplicam "em grande parte". Mas ele acrescenta que é possível que a decisão possa ser uma "omissão" por parte do Google ou o resultado de regulamentações mais flexíveis nesses lugares distantes.
O Google não comentou sobre a disponibilidade do Bard nesses territórios ou sobre as alegações de que está tentando influenciar a política de IA não lançando o chatbot e outros produtos de inteligência artificial generativa na UE. "Embora não tenhamos finalizado o cronograma para os planos de expansão, lançaremos gradualmente e com responsabilidade e continuaremos sendo um parceiro útil e engajado para os reguladores enquanto navegamos juntos nessas novas tecnologias", diz a porta-voz do Google, Delia Williams-Falokun. O novo mecanismo de busca do Google com IA não estará disponível na UE, pois será lançado apenas nos EUA.
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