
Parece um enredo de filme de Spielberg, mas é realidade no mundo das formigas: uma trabalhadora lesionada passa por uma amputação de emergência realizada por uma colega, uma ação que lhe salva a vida. Essa descoberta, descrita na revista Current Biology por pesquisadores liderados pelo Dr. Erik Frank da Universidade de Lausanne, marca a primeira vez que um animal não humano realiza amputações emergenciais para tratar feridas e prevenir infecções. Os cientistas observaram formigas carpinteiras da Flórida (Camponotus floridanus) após causarem lesões em seus membros posteriores direitos. Eles notaram que as companheiras de ninho iniciavam o tratamento lambendo as feridas. Se a lesão fosse no fêmur, as formigas prosseguiam em amputar a perna no trocanter, uma junta próxima ao osso do quadril. Curiosamente, feridas na tíbia, ou parte inferior da perna, não levavam à amputação, mas apenas a cuidados através de lambidas. Segundo Frank, isso se deve ao fato de que feridas no fêmur, ao contrário das da tíbia, estão associadas a danos nas estruturas que bombam um líquido semelhante ao sangue pelo corpo das formigas, tornando as infecções na parte inferior menos propensas a se espalhar rapidamente pelo corpo e, portanto, menos letais. As formigas frequentemente se lesionam em disputas territoriais, mas cuidar dos feridos traz benefícios significativos para a colônia. Essas descobertas realçam a complexidade dos comportamentos sociais desses insetos, conforme destacado por Prof. Francis Ratnieks da Universidade de Sussex, que aponta isso como mais um exemplo de adaptação das formigas em suas estratégias de sobrevivência e ajuda mútua.
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