
Cientistas descobriram novas evidências de atividade vulcânica remodelando a superfície de Vênus, sugerindo que esta atividade pode ser comparável à da Terra atualmente. Em 2023, ao analisar dados arquivados da sonda Magellan da NASA, pesquisadores anunciaram a descoberta de uma erupção vulcânica em Vênus ocorrida entre fevereiro e outubro de 1991. A força explosiva desse evento alterou significativamente a cratera do imenso vulcão Maat Mons, localizado próximo ao equador do planeta, preenchendo-o com lava incandescente.
Essa descoberta foi um marco importante, pois forneceu evidências claras dos processos vulcânicos em Vênus, permitindo aos cientistas modelar com mais precisão sua evolução e potencial habitabilidade. Recentemente, pesquisadores revisaram os dados de Magellan e encontraram novas provas de atividades vulcânicas, indicando que Vênus pode ter um nível de vulcanismo similar ao da Terra.
Para chegar a essa conclusão, uma equipe de cientistas comparou mapas topográficos de duas regiões da superfície venusiana observadas pela sonda entre 1990 e 1992. Os locais de interesse incluíam a região ao redor do vulcão Sif Mons, no hemisfério sul, e a área conhecida como Niobe Planitia, perto do equador de Vênus.
Devido à atmosfera densa de Vênus, não é possível observar diretamente sua superfície como na Terra. No entanto, a sonda Magellan conseguiu criar mapas detalhados da topografia venusiana usando ondas de radar, que revelaram informações profundas sobre sua composição e altura. "Com base nestes mapas, nossos resultados mostram que Vênus pode ser muito mais ativo vulcanicamente do que se pensava anteriormente", explicou Davide Sulcanese da Universidade d'Annunzio em Pescara, Itália, líder do estudo publicado na revista Nature Astronomy.
A comparação dos mapas de radar de 1990 e 1992 sugere que grandes rios de lava fluíram pela paisagem alienígena nesse período, solidificando-se depois em novos depósitos rochosos. "Interpretamos esses sinais como fluxos ao longo de encostas ou planícies vulcânicas que podem desviar-se de obstáculos como vulcões em escudo, como um fluido", disse Marco Mastrogiuseppe, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Roma La Sapienza.
Estima-se que os fluxos de lava das duas regiões cobriram uma área de 19 milhas quadradas e criaram rochas suficientes para encher 90.000 piscinas olímpicas entre 1990 e 1992. Essas paisagens recentemente transformadas serão alvos importantes para a missão VERITAS da NASA, prevista para explorar Vênus no início dos anos 2030. "Nossa espaçonave utilizará técnicas avançadas para identificar mudanças na superfície, oferecendo uma resolução muito superior às imagens de Magellan", explicou Suzanne Smrekar, investigadora principal da missão VERITAS. "As evidências de atividade, mesmo nos dados de menor resolução de Magellan, potencializam a capacidade de revolucionar nosso entendimento desse mundo enigmático."
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