
Observadores do céu relataram auroras deslumbrantes com tonalidades de verde, roxo e vermelho adornando o céu de domingo em algumas localidades da Europa, Nova Zelândia e partes do norte dos Estados Unidos, ainda que por um breve período. As auroras, conhecidas também como luzes do norte e do sul, foram desencadeadas pela tempestade solar de movimento mais rápido em pelo menos cinco anos, porém seu esplendor foi efêmero com a rápida diminuição da atividade geomagnética.
Na Finlândia, Alexander Kuznetsov, entusiasta da caça às auroras, descreveu no portal SpaceWeather.com uma 'dança incrível da aurora logo após o anoitecer'. 'Começou como um arco dançante afiado no horizonte Sul e rapidamente se expandiu para o céu, gerando algumas das auroras vermelhas e roxas mais vibrantes que já vi em toda a minha carreira', relatou Kuznetsov. Já Matti Helin, outro aficionado pelas luzes do norte, comentou que o espetáculo na Finlândia sudoeste durou cerca de 20 minutos.
Cientistas antecipam um aumento na atividade auroral nos anos seguintes, à medida que o sol se aproxima de seu pico de atividade em duas décadas. Auroras são geradas quando partículas solares perturbam o campo magnético da Terra, criando uma tempestade geomagnética. Essas partículas excitam moléculas de oxigênio e nitrogênio na alta atmosfera, liberando fótons que percebemos como a aurora.
A tempestade geomagnética de domingo alcançou o nível G4, mas enfraqueceu para G2 e G1 horas depois. Ainda na segunda-feira pela manhã, o fluxo de partículas solares continuou a agitar o campo magnético terrestre, mas a chance de atividade auroral intensa diminuiu devido ao enfraquecimento do campo magnético da ejeção de massa coronal, explicou Bill Murtagh, coordenador do NOAA's Space Weather Prediction Center.
As melhores exibições de auroras ocorreram em partes da Europa e do hemisfério sul, quando a atividade G4 coincidiu com a noite. Infelizmente, nos Estados Unidos, as condições G4 se deram durante o dia, quando o sol ofuscou as luzes, mas ainda assim, algumas partes do norte do país puderam observar as luzes dançantes durante a tempestade geomagnética mais fraca à noite.
Na Nova Zelândia, bem posicionada para a exibição de uma aurora, as nuvens interferiram na vista, mas a aurora se mostrou forte apesar da lua cheia, conforme informou Ian Griffin, fotógrafo na Península de Otago, também no SpaceWeather.com.
A atividade geomagnética foi rastreada até um grupo de manchas solares, regiões mais frias e escuras no sol, na semana anterior. Tais manchas são zonas onde o campo magnético solar é muito intenso. Eventos significativos de liberação de energia ocorreram na sexta-feira, incluindo uma grande ejeção de massa coronal que chegou à Terra cerca de 10 horas antes do esperado, sendo a mais rápida do ciclo solar atual, segundo Murtagh.
Apesar do impacto direto e veloz da ejeção de massa coronal, a orientação magnética da mesma também precisa estar alinhada corretamente com a Terra para uma conexão forte e, consequentemente, auroras espetaculares. A forte resposta inicial durou pouco, e conforme a massa coronal principal chegou à Terra, sua orientação magnética se inverteu, enfraquecendo a tempestade para níveis G1 e G2 ao longo da noite.
Ainda que a tempestade geomagnética tenha perdido força, alguns observadores em latitudes mais ao norte ainda conseguiram capturar as luzes dançantes. Para quem perdeu a atividade de domingo, há previsões de mais eventos desse tipo nos próximos meses, à medida que o sol alcança o ápice de seu ciclo solar atual, prometendo mais espetáculos naturais no céu, conforme disse Murtagh. 'Aguarden. Há mais por vir'.
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