O telescópio espacial James Webb, lançado no dia de Natal de dois anos atrás, tem proporcionado visões celestiais milagrosas, desde Júpiter e seus anéis, a 385 milhões de milhas de distância, até a Nebulosa Carina, localizada a 7.500 anos-luz, passando pela Galáxia Fantasma, a 32 milhões de anos-luz, e alcançando as regiões mais profundas do espaço, a 13 bilhões de anos-luz de nós.
A Galáxia Fantasma foi um dos corpos celestes capturados pela poderosa lente do telescópio, um projeto que começou a ser idealizado pela NASA em 1989 como sucessor do telescópio Hubble. A nova maravilha tecnológica conta com lentes douradas capazes de detectar luz infravermelha, podendo enxergar através de poeira e gases e alcançar pontos 100 vezes mais distantes no universo do que seu antecessor. O engenheiro Scott Willoughby, que supervisionou a construção do telescópio na Northrup Grumman, destacou a complexidade da missão, mencionando que o aparelho tinha mais de 300 componentes críticos que precisavam funcionar perfeitamente.
Após quase sete meses para se desdobrar, calibrar e atingir sua órbita a um milhão de milhas da Terra, o processo foi considerado um sucesso próximo da perfeição. O telescópio precisou enfrentar temperaturas de menos 400 graus para detectar as tênues assinaturas infravermelhas do espaço, o que foi possível graças a um escudo solar que protege suas lentes da luz do sol.
Jane Rigby, a cientista-chefe do Webb, da NASA, expressou entusiasmo pelo desempenho do telescópio, que prometeu e entregou 'fotos de bebê do universo' em alta definição. O James Webb também tem como missão examinar atmosferas de planetas distantes e já estudou dezenas delas, inclusive encontrando dióxido de carbono e metano no exoplaneta K2-18 b, sugerindo a presença de oceanos a 120 anos-luz da Terra.
Embora houvesse preocupações sobre o impacto de micrometeoritos e dúvidas sobre a autenticidade das cores nas fotos divulgadas, a equipe da NASA assegurou que os espelhos foram desenhados para resistir a tais impactos, e as cores são uma representação verdadeira da informação capturada pelo telescópio, traduzida para o espectro visível.
O legado do Webb já é notável, com mais de 600 artigos científicos publicados em seu primeiro ano de observações. E há ainda um presente de Natal: o telescópio economizou combustível suficiente para dobrar sua missão prevista de dez para vinte anos, prometendo continuar desvendando os mistérios do universo e nos encantando com imagens como a do aglomerado que a NASA apelidou de 'Árvore de Natal'.
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