
A astronômica descoberta de um planeta rochoso com atmosfera, o 55 Cancri e, também conhecido como Janssen, agitou a comunidade científica esta semana. Localizado a aproximadamente 41 anos-luz de distância, na constelação de Câncer, Janssen é classificado como uma 'super-Terra', com massa cerca de 8,8 vezes maior que a da Terra e diâmetro duas vezes maior. Apesar de ser um marco na procura por planetas rochosos além do nosso sistema solar, as condições em Janssen são extremamente inóspitas para a vida.
Os pesquisadores, utilizando instrumentos infravermelhos a bordo do Telescópio Espacial James Webb, identificaram uma atmosfera substancial neste exoplaneta. A atmosfera, provavelmente rica em dióxido de carbono ou monóxido de carbono, além de possíveis gases como vapor de água e dióxido de enxofre, é continuamente reabastecida por gases liberados de um vasto oceano de magma. A composição exata da atmosfera ainda é incerta, segundo Renyu Hu, cientista planetário da NASA e do Jet Propulsion Laboratory e autor principal do estudo publicado na revista Nature.
Com uma órbita extremamente próxima à sua estrela, completando-a a cada 18 horas, Janssen sofre temperaturas superficiais em torno de 3.140 graus Fahrenheit (1.725 graus Celsius). Essa proximidade com a estrela deveria, teoricamente, privar o planeta de qualquer atmosfera, mas acredita-se que a atmosfera seja continuamente renovada pelo oceano de lava que cobre o planeta. Ainda é incerto se a atmosfera é tão densa quanto a da Terra ou mais espessa que a de Vênus, o que representa um avanço significativo no estudo de exoplanetas rochosos.
"De fato, este é um dos exoplanetas rochosos mais quentes conhecidos", comentou o astrofísico e coautor do estudo, Brice-Olivier Demory, da Universidade de Berna. O planeta provavelmente é bloqueado pela maré, sempre com o mesmo lado voltado para sua estrela, assim como a Lua com a Terra.
Curiosamente, Janssen faz parte de um sistema binário, onde sua estrela está gravitacionalmente ligada a uma anã vermelha, com uma distância de 1.000 vezes a distância entre a Terra e o Sol entre elas.
A descoberta representa um progresso significativo, já que até então, todos os exoplanetas encontrados com atmosferas eram planetas gasosos. A busca por planetas rochosos com atmosferas continua, e o Telescópio Espacial James Webb pode ser uma ferramenta fundamental para investigar planetas mais frios, que possam suportar água líquida em sua superfície. "Na Terra, a atmosfera é chave para a vida", disse Demory, alimentando a esperança de que investigações futuras possam encontrar planetas onde a vida como conhecemos possa ser possível. Mas, segundo Hu, "o planeta não pode ser habitável", uma vez que é muito quente para ter água líquida, considerada pré-requisito para a vida.
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