
Descoberta arqueológica inusitada agita Vila Velha: fósseis milenares são encontrados em local inesperado - as paredes de um banheiro no Shopping Boulevard. Beatriz Hörmanseder, doutoranda em Ciências Biológicas pela Ufes, foi quem compartilhou a descoberta em uma rede social, evidenciando um passado geológico que data de 72 a 113 milhões de anos.
Ela identificou que a origem da rocha fossilizada é da Bacia Potiguar, localizada no Rio Grande do Norte, e destacou que o mesmo tipo de calcário também adorna o piso do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Em outra ocasião, Beatriz encontrou evidências de Estromatólitos, entre as mais antigas formas de vida no planeta, em Belo Horizonte, na Casa Sapucaí.
A professora e paleontóloga Taíssa Rodrigues, colega de Beatriz na Ufes, confirmou que os fósseis encontrados são de moluscos, como Caracóis, e que a rocha tem sua procedência no Ceará. Taíssa alerta que, embora a Constituição Brasileira reconheça os fósseis como patrimônio nacional, há um vácuo legal em relação à proteção específica desses materiais. Ela aponta que a extração de rochas fossilíferas é permitida mediante autorização da empresa responsável pela lavra, porém não está claro se a presença dos fósseis foi considerada na autorização de extração.
"A empresa que tem a lavra tem a autorização para extrair e explorar a rocha", relata Taíssa, levantando questionamentos sobre a preservação de fósseis em ambientes urbanos e a legislação vigente sobre o tema. A descoberta em Vila Velha abre um interessante debate sobre a necessidade de políticas mais rigorosas para a proteção do patrimônio paleontológico brasileiro.
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