
Na última sexta-feira, foi noticiado pela Vox que a gigante tecnológica OpenAI apresentou documentos de saída altamente restritivos aos funcionários que desejavam deixar a empresa. Caso não assinassem tais documentos em um período relativamente curto, enfrentavam a ameaça de perderem suas ações já adquiridas na empresa, uma prática pouco comum no Vale do Silício. Essa política pressionava os ex-funcionários a escolherem entre renunciar a potenciais milhões de dólares ou se comprometerem a não criticar a empresa indefinidamente.
Internamente, a revelação gerou uma grande controvérsia na OpenAI, avaliada em cerca de 80 bilhões de dólares. Como muitas startups de Silicon Valley, a remuneração dos funcionários da OpenAI é composta majoritariamente por ações da empresa. Presume-se que, uma vez adquiridas, essas ações sejam intransferíveis, assim como um salário já pago não pode ser retomado.
Um dia após a reportagem da Vox, o CEO Sam Altman pediu desculpas publicamente, enfatizando que a empresa nunca reivindicou de volta as ações já adquiridas por alguém e que não o faria caso as pessoas não assinassem um acordo de separação ou de não denigração. Altman admitiu que a inclusão dessa cláusula nos documentos anteriores foi um erro e que ele estava genuinamente envergonhado por não ter conhecimento dessa prática.
Essas desculpas foram reforçadas em comunicações internas de outros membros da equipe executiva da OpenAI. Jason Kwon, diretor de estratégia, reconheceu que a cláusula existia desde 2019, mas que só foi percebida há cerca de um mês. No entanto, documentos da empresa com assinaturas de Altman e Kwon contradizem essas declarações, indicando que ambos estavam cientes das disposições controversas.
Além disso, documentos fornecidos por ex-funcionários mostram que os documentos de constituição da empresa que gerencia as ações da OpenAI contêm linguagem que concede à empresa autoridade quase arbitrária para retomar ações de ex-funcionários ou bloqueá-los de vendê-las.
Essa contradição entre as declarações recentes da liderança da OpenAI e esses documentos tem implicações que vão além do financeiro. A OpenAI, uma das empresas mais influentes e visíveis no campo da inteligência artificial, precisa de uma confiança pública substancial para avançar em seus objetivos. Se os próprios funcionários não se sentem livres para expressar críticas sem risco de retribuição financeira, questiona-se como a empresa e seu CEO podem ser dignos dessa confiança.
A OpenAI ainda pode corrigir essas questões e já começou a tomar medidas iniciais. Eles estão contatando ex-funcionários que assinaram acordos padrão de saída para assegurar que não perderão suas ações adquiridas e que estão liberados de obrigações de não denigração, um passo significativo para corrigir o erro. No entanto, ainda há muito a ser feito para que a OpenAI se alinhe totalmente com seus valores declarados de responsabilidade e transparência.
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