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Contaminação por micro e nanoplásticos em saquinhos de chá

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24 December 2024

Pesquisadores da UAB revelaram que os saquinhos de chá feitos de polímeros liberam milhões de micro e nanoplásticos durante a infusão. Essa descoberta é a primeira a demonstrar a capacidade desses poluentes de serem absorvidos pelas células intestinais humanas, podendo, assim, atingir a corrente sanguínea e se espalhar pelo organismo.

A pesquisa, conduzida pelo Grupo de Mutagênese do Departamento de Genética e Microbiologia da UAB, analisou diferentes tipos de saquinhos de chá disponíveis no mercado. O estudo, publicado na revista Chemosphere, alerta para a crescente contaminação por micro e nanoplásticos (MNPLs) proveniente dos embalagens de alimentos, destacando a inalação e ingestão como as principais vias de exposição humana.

Durante o processo de infusão, os pesquisadores detectaram a liberação de quantidades significativas de partículas em escala nanométrica. Os saquinhos analisados eram feitos de nylon-6, polipropileno e celulose. Os resultados mostraram que o polipropileno libera aproximadamente 1,2 bilhões de partículas por mililitro, com um tamanho médio de 136,7 nanômetros. Já a celulose libera cerca de 135 milhões de partículas por mililitro, com um tamanho médio de 244 nanômetros, enquanto o nylon-6 contribui com 8,18 milhões de partículas por mililitro, com uma média de 138,4 nanômetros.

Para a caracterização das partículas, foram utilizadas técnicas analíticas avançadas, como microscopia eletrônica de varredura (SEM), microscopia eletrônica de transmissão (TEM), espectroscopia de infravermelho (ATR-FTIR), espalhamento de luz dinâmica (DLS), velocimetria a laser Doppler (LDV) e análise de rastreamento de nanopartículas (NTA).

Alba Garcia, pesquisadora da UAB, declarou: "Conseguimos caracterizar esses poluentes de forma inovadora com um conjunto de técnicas de ponta, o que é uma ferramenta importante para avançar nas pesquisas sobre os impactos potenciais na saúde humana."

Em experimentos que envolveram células intestinais humanas, foi observado pela primeira vez a interação das partículas com essas células. Os testes mostraram que as células intestinais produtoras de muco absorveram a maior quantidade de micro e nanoplásticos, com partículas chegando a entrar no núcleo celular, que abriga o material genético.

Esse resultado sugere um papel crítico do muco intestinal na absorção dessas partículas poluentes, ressaltando a necessidade de mais pesquisas sobre os efeitos da exposição crônica à saúde humana. Os pesquisadores enfatizam: "É fundamental desenvolver métodos de teste padronizados para avaliar a contaminação por MNPLs liberados de materiais plásticos em contato com alimentos e formular políticas regulatórias para mitigar essa contaminação. Com o aumento do uso de plásticos nas embalagens de alimentos, é vital abordar a contaminação por MNPLs para garantir a segurança alimentar e proteger a saúde pública."

Para mais informações, consulte o artigo de Gooya Banaei et al, intitulado "Teabag-derived micro/nanoplastics (true-to-life MNPLs) as a surrogate for real-life exposure scenarios", publicado na Chemosphere (2024). DOI: 10.1016/j.chemosphere.2024.143736.

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