
A Colossal Biosciences, empresa de biotecnologia sediada em Dallas, anunciou nesta quarta-feira avanços significativos em direção à ressurreição genética do mamute lanoso, um objetivo ambicioso e controverso que visa repovoar a tundra ártica com um titã desaparecido. A empresa conseguiu produzir uma linha de células-tronco de elefante asiático capazes de se transformarem em outros tipos de células necessárias para reconstruir o gigante extinto — ou pelo menos um elefante parecido com mamute adaptado ao frio.
"Provavelmente, é a coisa mais significativa até agora no projeto", declarou George Church, geneticista de Harvard e co-fundador da Colossal. Ainda há muitos passos a serem dados no futuro, reconhece o pesquisador.
Os defensores da iniciativa veem na 'desextinção' uma oportunidade de corrigir os erros da humanidade que contribuíram para a crise de extinção atual. Eles argumentam que as descobertas na área podem beneficiar animais ainda existentes, incluindo os elefantes em perigo de extinção. Contudo, as dificuldades técnicas para criar um mamute vivo são enormes, e o projeto suscita questões éticas complexas: Quem decide o que deve voltar? Onde as espécies renascidas viverão? O investimento poderia ser melhor aplicado em outras áreas? E quais seriam os impactos desse processo nos próprios animais?
Heather Browning, filósofa da Universidade de Southampton na Inglaterra e ex-zeladora de zoológico, expressa preocupação com o bem-estar dos animais diante da falta de conhecimento no campo.
O mamute lanoso dominou o ártico durante a última era glacial, e sua extinção há 4.000 anos preservou não apenas seus ossos, mas também carne e pelo em tundras geladas, permitindo que paleontólogos coletassem fragmentos de DNA. Pesquisadores já sequenciaram o genoma do mamute suficientemente para considerar um manual para a recriação da espécie.
Colossal afirma ter produzido as células-tronco necessárias e planeja, eventualmente, editar geneticamente um núcleo de célula-tronco com genes de mamute e fundi-lo a um óvulo de elefante. Se tudo ocorrer como planejado — um grande 'se' — o embrião seria implantado em uma mãe de aluguel elefante e aguardariam o nascimento.
Apesar das incertezas, a Colossal visa utilizar úteros artificiais para gestar os animais e espera lucrar comercializando as tecnologias desenvolvidas durante o processo, que também poderiam beneficiar a conservação de elefantes atualmente ameaçados.
Por outro lado, especialistas como Matthew Cobb, zoólogo da Universidade de Manchester, questionam a viabilidade do projeto e levantam dúvidas sobre a capacidade de um mamute bioengenheiro aprender a comportar-se como tal sem a orientação de outros de sua espécie.
A Colossal argumenta que a reintrodução dos mamutes poderia ajudar a combater as mudanças climáticas, sugerindo que manadas futuras poderiam compactar o permafrost e evitar que mais carbono seja liberado na atmosfera. Contudo, permanece a questão filosófica: um mamute bioengenheiro seria realmente um mamute ou apenas um elefante peludo adaptado ao frio?
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