
Um estudo publicado na sexta-feira pela revista Science Advances sinaliza um alerta para a possibilidade de colapso da Corrente de Retorno do Atlântico Norte, mais conhecida como AMOC, que inclui a Corrente do Golfo. Segundo o líder da pesquisa, René Van Western, o sistema pode estar caminhando para uma interrupção súbita e 'abrupta', afetando significativamente o clima da Europa.
A AMOC é responsável por transportar águas quentes dos trópicos em direção à Europa, e seu enfraquecimento poderia levar a uma 'ponta de lança' climática, resultante do aumento da quantidade de água doce proveniente do derretimento das geleiras da Groenlândia no Atlântico Norte.
Os impactos de um possível colapso são alarmantes: enquanto o hemisfério sul poderia experimentar um aumento nas temperaturas, a Europa enfrentaria uma queda drástica, com Londres e Bergen, na Noruega, podendo registrar reduções médias de temperatura de 18°F e 27°F, respectivamente. Além disso, o nível do mar poderia subir na costa leste da América do Norte.
Van Western expressou à Associated Press a preocupação de se aproximar cada vez mais deste ponto crítico, mas sem precisão sobre quando isso poderia ocorrer.
O estudo ganha respaldo de outras pesquisas recentes, como os relatórios sobre Pontos de Inflexão Climática da OCDE de 2022 e o relatório Global Tipping Points de 2023. O Prof. Stefan Rahmstorf, que não participou do estudo mas é líder do departamento de Análise de Sistemas Terrestres no Instituto de Pesquisa Climática de Potsdam, na Alemanha, elogiou a pesquisa como 'um grande avanço na ciência da estabilidade da AMOC' e advertiu que ignorar esses sinais seria perigoso.
A pesquisa propõe um novo sinal de alerta antecipado baseado em física para a iminência do ponto de inflexão da AMOC, focando no mínimo do transporte de água doce induzido pela AMOC no limite sul do Atlântico. A detecção desse sinal em produtos de reanálise sugere que a AMOC atual está a caminho do ponto crítico.
Tim Lenton, diretor do Global Systems Institute da Universidade de Exeter e não envolvido no estudo, ressalta a importância de planejar para o pior cenário, investindo na coleta de dados relevantes e melhorando a estimativa de quão próximo estamos desse ponto crítico, além de se preparar para gerenciar e se adaptar aos impactos caso comecem a ocorrer.
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