
A tentativa inicial da Boeing de lançar sua nave espacial Starliner com astronautas a bordo foi adiada no último sábado, a menos de quatro minutos do lançamento. O adiamento foi causado por um sistema computadorizado automático, responsável por assumir a sequência de voo nos momentos finais da contagem regressiva. A NASA anunciou na tarde de sábado que adiaria o lançamento para a próxima semana, com possibilidade de ocorrer na quarta ou quinta-feira, para avaliar melhor o problema identificado no computador. Anteriormente, a agência havia considerado a possibilidade de realizar o lançamento já no domingo.
Durante uma coletiva de imprensa após o cancelamento da missão, Tory Bruno, CEO da ULA, explicou que um dos três sistemas computadorizados que coordenam a sequência de lançamento nos últimos minutos — como por exemplo, liberar as braçadeiras que mantêm o foguete fixo — apresentou lentidão para ser ativado. Isso levou o sistema automatizado a encerrar a contagem regressiva. A ULA é uma colaboração entre a Boeing e a Lockheed Martin.
A missão, que está sendo bastante aguardada pela Boeing, tem como objetivo enviar os astronautas da NASA, Sunita Williams e Butch Wilmore, para a Estação Espacial Internacional por aproximadamente uma semana, a fim de testar o funcionamento da nave com humanos a bordo.
"Sei que é um pouco decepcionante," comentou Steve Stich, responsável pelo programa de tripulação comercial da NASA, referindo-se ao adiamento. "Estávamos todos animados, e Butch e Suni estavam ansiosos para voar. Mas isso faz parte da navegação espacial... Cada vez que você vai à plataforma para um voo tripulado, ou qualquer voo, existe a possibilidade de cancelamento."
Ele continuou: "Você pode ver hoje o quão perto estamos. Estamos realmente perto de ter essa capacidade pronta para uso. Estávamos a três minutos e cinquenta segundos de lançar, com uma nave Starliner pronta para partir."
Avaliando o fato de que a nave nunca voou com pessoas a bordo, as equipes da NASA e da Boeing enfatizaram que procederiam com cautela e não tentariam realizar a missão até que se sentissem seguros para fazê-lo.
O teste de voo com a tripulação estava inicialmente programado para 6 de maio. No entanto, foi adiado devido a um problema com uma válvula no segundo estágio do foguete, que já foi substituída e estava funcionando bem no sábado.
O lançamento faz parte do "programa de tripulação comercial" da NASA, que terceirizou o transporte para a estação espacial para Boeing e SpaceX. Enquanto a SpaceX já realizou seu primeiro teste tripulado em maio de 2020, tornando-se um grande sucesso para a NASA, a Boeing enfrentou obstáculos e atrasos, tendo que realizar dois voos de teste sem tripulação, ao invés de um como inicialmente previsto. O primeiro, no final de 2019, foi interrompido porque o computador de bordo do foguete estava desajustado em 11 horas e a nave não alcançou a estação. Ela alcançou a estação na tentativa seguinte, em 2022. No entanto, a empresa descobriu posteriormente que a fita usada para cobrir a fiação elétrica na cápsula era inflamável e que os paraquedas precisavam de atualização.
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