
Uma revolucionária descoberta médica ocorreu graças à curiosidade de um médico francês no final do século XIX e ao avanço da tecnologia de inteligência artificial mais de um século depois. Em 1889, o Dr. Francois-Gilbert Viault, após uma expedição nos Andes, observou um aumento de 42% em seus glóbulos vermelhos ao analisar seu próprio sangue, revelando a capacidade do corpo humano de produzir essas células essenciais sob demanda. A explicação para esse fenômeno permaneceu um mistério até o início dos anos 1900, quando cientistas postularam a existência de um hormônio responsável, batizado de eritropoietina, ou 'produtor de vermelho' em grego.
Foi necessário um trabalho intenso e muitas décadas antes que pesquisadores conseguissem isolar a eritropoietina, após filtrarem aproximadamente 2.536 litros de urina. Avançando no tempo, biólogos israelenses identificaram uma célula renal especial, a célula Norn – nome inspirado nas divindades nórdicas que controlavam o destino humano – como a produtora do hormônio em situações de baixo oxigênio.
A história ganhou um novo capítulo com a intervenção da inteligência artificial. Em um verão recente, computadores na Califórnia, programados por pesquisadores de Stanford, descobriram as células Norn em apenas seis semanas, um feito que havia levado 134 anos para ser alcançado pelos humanos. Os computadores foram treinados com dados brutos sobre milhões de células reais e suas características químicas e genéticas, sem instruções prévias sobre o significado dessas medições. Este método inovador, inspirado em programas de IA como o ChatGPT, que aprendeu linguagem a partir de bilhões de textos da internet, abriu novos caminhos para o entendimento biológico e para a medicina, demonstrando o potencial da inteligência artificial na aceleração de descobertas científicas.
Confira os últimos vídeos publicados no canal